segunda-feira, 11 de junho de 2007

3,5 milhões - tudo gay?

Hoje ouvi uma história animal. Uma amiga me disse que contaram pra avó de alguém (talvez dela mesma, não me lembro) que estavam previstas mais de 3,5 milhões de pessoas na Parada Gay 2007 (ou Parada do Orgulho GLBT de São Paulo, nome muito mais bonito). A velhinha rebateu: "Tudo gay?".

Bizarro. Como a gente é preconceituoso ainda. Pra caralho.

Ontem, passei pela Parada, já na parte final, ali na Consolação. Tava bonito, um monte de criança. Achei bacana isso das crianças. Só não curto a música, mas isso é outra história.

Lá pelas tantas, andando um pouquito lá pelo meio, notei que havia muita gente "normal" ali. E aí quase bati na boca! "Que normal, o que, menina! Isso é jeito de falar?" Mas depois me expliquei pra mim mesma com a origem da palavra, se é que eu tô certa quanto à orgiem desta palavra. Gente normal. Normal de Norma. Gente normal de gente-dentro-da-norma. Dentro de uma norma burra e antiquada. Concluindo, tinha, sim, muita gente-de-dentro-da-norma que saiu de casa pra ver as pessoas que estão fora da norma. Doido isso.

O que acho mais lindo é a política se consolidar pela alegria, como comentou o Fabrício. Quer movimento mais cativante e eficaz do que aquele que tem como força motriz a alegria? Dá pra reprimir?

No entanto, o caminho pela frente é longo, longo... Tem uma porrada de gente fingindo que aceita, que entende e que apoia. Tem uma porrada de gente que vai até lá, pra depois soltar umas pérolas, como a que ouvi de um molequinho na rua: "eu fui lá na Parada. Aquelas bixa lá".

Enfim. Do que eu vi, tava tudo colorido e bonito. Pena que as pessoas celebram a diversidade (palavra bonita diversidade, né?) só uma vez por ano em São Paulo.