quinta-feira, 7 de agosto de 2008

"Coringa" ou "Alguém me distrai dessa vida, por favor?"


Finalmente, depois de muitos comentários adolescentes-bobos de "você aiiiiiiiiiinda não viiiiiu?", eu assisti o Batman - aquele filme sobre o Coringa. Assisti comendo um pacote de MMs, que é pra ninguém falar que eu vi com má vontade ou infeliz.

Não quero comentar os recursos cinematográficos (efeitos e etc), nem a narrativa melodramática da coisa toda. Me diverti a beça com tudo, passou rapidinho e talz. quero falar mesmo é do fascínio que a mensagem do "vilão" dessa brincadeira gera em nós. Claro, as falas do Coringa são fantásticas e ele é bem mais complexo do que os outros personagens (por exemplo, o Morgan Freeman interpretando Deus eternamente). O que me choca, no entanto, é o quanto idéias revolucionárias como as dele estão completamente incluídas no sistema.

Vamos à historinha...

Então, você vai ao cinema, paga 15 no ingresso, 5 na pipoca, 2,50 na Coca. De preferência, vai ao cinema do shopping, que é pra ser mais contrastante ainda. Lá dentro, você descobre idéias incríveis:

"não é por dinheiro!" - grita o moço-candidato-ao-Oscar-póstumo, enquanto queima uma pilha de notas. (nossa, além do Tim Maia, que não quer dinheiro, só quer amar, você nunca tinha ouvido isso antes, afinal, tudo é por dinheiro, não? Trabalho, política, Olimpíadas...)

"pra quê regras?" - sugere ele, diante de um promotor fracassado (nossa, essa foi realmente libertadora! Um cara com maquiagem borrada te ensinou que o monte de regras que a sociedade capitalista constrói só serve pra manutenção das injustiças da própria sociedade, porque manutenção traz tranqüilidade e o que é corriqueiro não assusta. E, se não ficarem espertinhos e se não fizerem bastante dinheiro pra blindar o carro e tudo mais, os próprios criadores das regras se fodem - tipo ficam com meio corpo queimado, por exemplo)

Maravilha. Aí saímos todos do cinema e não vamos trabalhar no dia seguinte porque dinheiro não é o que importa! Melhor, ainda: vamos descumprir essas regras imbecis e parar de ter medo do que é diferente e de trancar o diferente no hospício. Bacana! Vamos, então, fazer o que dá vontade, ser espontâneos, verdadeiros, vivos, independentemente desse monte de códigos morais que vão nos matando por dentro!

Hum... não.

Nós vamos comer uma pizza ou um lanche no Mac e vamos pra casa dormir. E, ufa!, temos um assunto pra conversar amanhã com os colegas de trabalho no café do meio da tarde.

Enquanto isso, em Hollywood... algumas pessoas têm muito mais dinheiro do que tinham antes do Coringa convencer meio mundo de que dinheiro não importa.

3 comentários:

Synyster disse...

Acho que vc levou o filme a serio de mais... É claro que não vamos nos vestir com um terno roxo, pintar a cara, e em seguida explodir coisas (e pessoas) por ae. Levando em consideração que o Coringa é uma pessoa com... um ... certo "problema mental" (seria social tb?), e nós não, seria realmente complicado entender, ou ate mesmo viver como ele. Como.... sei la... no Clube da Luta, onde o narrador nos leva a crer que não precisamos de conforto, ou de todas as outras coisas que temos em casa... A questão toda... acho que se baseia em "sim... um otimo filme, vc lembra aquela parte..."

Natalie S. Dowsley disse...

"Acho que vc levou o filme a serio demais... É claro que não vamos nos vestir com um terno roxo, pintar a cara, e em seguida explodir coisas (e pessoas) por ae."... mas podemos repensar nossas ações, mesmo sem pintar o rosto de forma desengonçada; podemos explodir certos pensamentos pré-concebidos, que foram ensinados pra nós e que acreditamos que seja a única forma de viver a vida ("assistir o filme, comer o sanduba da mac, comentar "sim, um ótimo filme, lembra aquela parte..." ...);
podemos levar mais a sério as coisas da vida, pq a arte imita a vida, e o filme existe pq no mundo existe razão e explicação para ele existir...
Levar à sério não significa ser denso ou não saber viver a vida com leveza...
Levar a sério não significa ter que fazer exatamente o que o Coringa faz...
Levar a sério não é ter que viver sisudo e sem ver um filme só pra ver mesmo, sem grandes filosofias...
Levar a sério é viver com responsabilidade, com o cuidado e a atenção necessárias para que possamos aprender coisas novas, nos melhorar enquanto pessoas...
Levar a sério é se divertir muito, sorrir muito, falar muita besteira, mas, mesmo assim, conseguir ver num filme de ficção uma lição sobre o mundo que vivemos, cheio de Coringas espalhados, sem pintura e roupa roxa, que esbarram em nossos ombros e nem nos damos conta...

p.s.:Por favor, colega de antes, não foi uma crítica a vc... só uma forma da gente continuar a "filosofar" sobre o filme... =) Espero que não fique chateado... =)

somebody disse...

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