terça-feira, 22 de julho de 2008

Dos idos de 2005, num dia em que chovia

Um texto resgatado sobre o "novo". O "novo" que eu redescobri no que, por um momento, pensei ser velho. O "novo" que não enjoa, porque é mutável. Infinitamente. (Parece.)


Estranho. Inesperado.
Nada é certo. Nada é exato.
Chove.
A chuva é suave, contínua, decidida.
Bem diferente das emoções.
Emoções são frutos de sensações e sensações passam.
Vêem e passam. Assim, depressa.
Mas não apenas depressa. Depressa e intenso.
Forte, verdadeiro, assustador. Mas frágil.
São assim minhas emoções, então? Ou eu?

Confusa, mutável, inconstante.
Cada dia uma. Com umas poucas partes de essência.
E o resto?

O resto é um pouco de tudo.
O resto é mistura, que não dá pra explicar.
Que não é concreto. Que muda.
Muda ao longo da vida.
Ao longo dos anos.
Meses
Dias
Segundos
Instantes
Mas que também cansa de mudar.

Cansa de fingir certezas que não tem.
De tentar convencer.
Cansa de olhar a mesma cena, com os mesmos olhos, os mesmos personagens e o sentimento oposto.
Cansa de não saber.
Cansa de fingir que sabe.
Cansa de outros quererem que saiba.
Cansa, sobretudo, de querer saber.
Querer a certeza.
Como se, de alguma forma, a certeza curasse.
Como se certeza fosse paz.
E, quem sabe, acabe encontrando paz
Enquanto procura, desesperadamente, certeza.
Enquanto procura entender pra seguir...
padrões
regras
leis
que todo mundo conhece
e que têm um aspecto tão seguro e certo.
Segui-los como se fossem a própria paz.

Mas não são.
São a prisão. A angústia.
repressão
limitação
sufoco
E agora busco ar.
Ar diferente, novo.

O novo. Porque o novo agrada e não gera expectativa.
O novo não cobra, não limita, não prende.
Não se encaixa...
e nem precisa.
Só precisa ser pra sempre novo.
E parar, congelar, quando se tornar comum.
Ou quando se tornar medo...
prisão
limite
Que seja forte, mas novo, diferente.
Que seja presente, mas só o suficiente.
Só enquanto completar, acrescentar, fizer sorrir.
ar.