Boniteza
A lágrima cai aqui do lado.
Eu vi cair.
Vi escorrer.
Vi você dentro dela
piscando pra mim
e me dizendo que o mundo tá cheio de boniteza.
Uma visão limitada e em pequenas partes. Só do que eu quiser.
A lágrima cai aqui do lado.
Eu vi cair.
Vi escorrer.
Vi você dentro dela
piscando pra mim
e me dizendo que o mundo tá cheio de boniteza.
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Juli =)
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17:52:00
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Não pode.
Não pode vender
o que eles não querem
onde eles não querem
quando eles não querem
pra quem eles não querem
gerando um lucro que eles não controlam.
A polícia do metrô
está especializada
em apreender balas,
amendoim
e outras tranqueiras e delícias
A desculpa
é proteger você e eu
de ter dor de barriga
A lição
é mais direta
e é de dar dor de barriga:
"em terra onde manda o dinheiro
nem o comércio é livre"
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Juli =)
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17:47:00
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em nome dos buracos que enchem as calçadas de flores-surpresa
em nome dos sabores sem açúcar que enchem a boca de saliva nova
em nome dos vãos livres que enchem de horizonte a paisagem
em nome das malas vazias que enchem de leveza o percurso
em nome do menos-eu que enche de outros a vida.
para celebrar a flor que nasce no chapéu
para celebrar a pergunta que ainda não conseguiu nascer
para celebrar a cara de tacho do mestre superado
para celebrar a dor da dúvida
para celebrar o que se inventa por não se saber
para celebrar o que nos inventamos por não nos saber
evocando a calma-tempo que espera nascer a nova dúvida que vem depois da certeza
evocando a alma-espaço que não se contenta em deter nenhuma verdade em seu território
evocando os sonhos-delírio que sabem que não cabem, daí explodem, ilógicos
evocando os pés-penas, inchados, que calçados de caminhar tanto, decolam
para sermos maiores - e ao mesmo tempo do nosso preciso tamanho
para soprarmos as conexões cerebrais que revisitamos d.i.a.r.i.a.m.e.n.t.e
para mastigarmos as cercas feitas de palavras que dominam as prateleiras de saber
ateando o fogo, a coceira, a pulga, os dentes e dentaduras
convidando o abismo pro lado de dentro - e deixando o assovio do vento cantar a imensidão
pelo não sei
porque não sei
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Juli =)
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20:13:00
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Venho aprendendo
a cada passo
a evitar que me conduzam
demasiado
A cada passo
A evitar que os ramos do meu bailar
sejam podados
que me peçam menos
que me peçam outra
mais discreta
mais cheirosa
mais depilada
mais normal
mais feminista
mais independente
mais desapegada
mais outra blusa
outro horário
outro sonhos
outro tempo
outra distância
outro desejo
outra loucura - que não a que eu sou
mais massacrada
mais ordinária
mais acostumada
mais arrumada
mais resolvida
mais psicoterapia
mais restaurante caro
mais detalhe
mais medo
mais indivíduo completo
mais eu - não eu-eu, eu esse-eu, que é o que tem pra todos
esse eu de prateleira
na forma certa
da loucura
mas não.
não vou.
não sou.
não sei.
minha loucura é minha
minha loucura é torta
vertical
como um dia de sol
sem sombra.
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Juli =)
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19:50:00
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Essa distância
entre o quanto você está aqui dentro
e o quanto você não procura estar
é a angústia.
***
Amar
garante tudo.
E não assegura nada.
A voz
o desejo
os dedos
o hoje
o brilho
não estão no amar
estão na montanha russa.
estão naquela linha fina que divide o agora e o depois
e distingue uma vida da outra
aquela linha pontilhada no peito
que separa segurança e carência
ansiedade e costume
eu a você
meu tempo e o seu.
Amar
é tempo.
Tempo que gata anda muda corre gira dorme desperta dome (re)nasce vaga passa volta invade transborda.
qual é o amar de agora?
***
A montanha russa sobre
seus passageiros não têm rosto.
O trilho sem fim segue íngreme
os olhos dos sem-rosto não se encontram no horizonte
as mãos dos sem-rosto seguram tanto as travas que se diluem em metal
O sol nasce, mas quando chega o calor
não há mais corpos.
A montanha russa desce
Não há mais sol ou trilhos
Mãos de metal se buscam, frias.
Cair é como voltar a ter rosto.
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Juli =)
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15:48:00
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Feriado
É feriado.
Trabalhamos.
A voz do metRô é a mesma de qualquer segunda-feira.
A moça brasileira e o tradutor inglês
não engasgam, nem bocejam.
Até os passarinhos brincam nas árvores
como em qualquer segunda-feira.
É feriado.
Caminhamos.
Pernas de ferro nos levam
rápido
pra longe de nós.
Mais rápido
pra mais longe.
Uns vamos à praia.
Outros limpamos banheiros.
Alguns encontramos segundos de vida viva.
Farejamos...
***
Faria Lima
A caminho do nada
a moça se arruma.
No espelhinho,
os cílios vão ficando pretos.
Os cabelos,
que nasceram pretos,
são agora loiros.
Tudo moldado
pelo nada.
para o nada.
A moça se arruma,
o mundo se arruma - no molde.
O sinal toca
pra fechar o espelhinho.
O destino chegou
e os cílios pretos de cabelos loiros têm pressa em direção ao destino.
O nada é a Faria Lima
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Juli =)
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15:42:00
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Juli =)
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19:31:00
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