domingo, 13 de maio de 2012

Sobre a descrença no eterno...

Se eu quero um amor de vida inteira?
Quero a vida, ela em si, ela toda, ela inteira

Se eu quero alguém com quem compartilhar as projeções
e os planos-sonhos-dores de amanhã?
Quero alguém pra viver comigo um sincero-hoje sem frustrações
com quem compartilhar o sorriso da próxima manhã.

Se é o longe que planejo
É o perto imediato que vejo
e vivo
           sinto
                    modifico
                                   choro
E sinto ser todo meu nesse momento-verdade
Que é mais doce e longo que a projeção de uma eternidade.

Misturebas do caderninho vermelho - sobre a solidão, as cidades, a poesia e a revolução

"A mais insignificante partícula de vida tem mais valor do que tudo que escrevi" (Maiakovski)

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"Essa coisa de nos sentirmos profundamente sozinhos será essência humana ou circunstância social"

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"Eles são muito revolucionários pra fazer qualquer coisa" (Juliano Gentille)

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"As cidades nos esmagam? Elas são sujeitos do processo ou sua representação? Lidar com a cidade é lidar com o nosso jeito-de-viver"

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"A liberdade é vivencial, não é teórica. A liberdade ou se vive ou mal se entende dela" (Luiz Telles)

Escritos curtos de viagem (2)

"Experiência, vivência - não se transmite.

o que não se transmite?
- há coisas que só se pode experienciar, não se pode transmitir.
- haverá coisas que, ao contrário, só se pode transmitir, não se pode experienciar?
o que, então, se transmite?"

(São Paulo - Montevideo)

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"No dejes de soñar, pero sueña de cara a la vida"

(Montevideo - sede do grupo El Galpon - frase de Athualpa del Cioppo)

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"Pra frio na alma não há cachecol"
(Montevideo - São Paulo)

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"Encontrar-se com a falta de sentido não é problema. É problema seguir nela"
(Franca)



Sobre o raro

O amor fica mais raro quanto mais nos tornamos acúmulo de coisas. Quanto mais acumulamos experiências, expectativas, frustrações, lembranças, dores... maior o muro a ser quebrado para nos colocarmos plenamente frágeis à disposição do encontro com o outro. Plenamente expostos. Verdadeiros. Apaixonantes, apaixonados. Entregues.

Somos isso poucas vezes.

terça-feira, 27 de março de 2012

Escritos curtos de viagem

"Pareceu-lhe tão inútil explicar as coisas pra fora que cogitou ficar uma semana sem falar. Um ano. Então, o telefone tocou, chamando para uma reunião."

"As máquinas, imensas, pareciam esqueletos de dinossauro. O formato, a cor. Mas um esqueleto de dinossauro teria mais sentimento."

quinta-feira, 22 de março de 2012

Rabiscos sobre brilho nos olhos e tamanho do tempo

Aos 16 anos, Ana teve brilho nos olhos e ingenuidade suficientes para perguntar ao seu primeiro patrão: "Por que o senhor rouba as melhores horas da minha vida?". O Patrão riu com surpresa e disse que não seria a vida toda, só alguns anos...


A próxima vez que teve brilho nos olhos, tinha 60 anos e comemorava a aposentadoria com vinho no copo de requeijão. "Até que passou rápido...", pensou. Sentou-se no sofá e morreu do coração.

quarta-feira, 21 de março de 2012

Isso é comigo

Ela andava no escuro porque era melhor pra conseguir não ver nada.


E pensava nas pessoas próximas a quem mandar um sinal de fumaça pra que pudessem enviar-lhe pelos Correios pedaços de coração.

No fim, não fazia fumaça, nem fogo. Nem acreditava nas pessoas mais. Pelo menos não pra tapar buracos de ar com pedaços de coração.

Tem um certo tipo de intimidade - um tipo que permite prever, reconhecer, esgotar um certo tipo de sensação que vem de-dentro-pra-fora-pra-dentro - que só se tem com uma pessoa: consigo.

Acendeu a fogueira só lá dentro - pra não incomodar a escuridão. Ouviu o próprio sinal de fumaça. E esperou queimar o que já sabia estar seco.