segunda-feira, 23 de abril de 2007

Leiturinhas leigas

Adoro ler, mas sei bem do meu atraso neste 'campo'. Não vale. Os bons caras escrevem desde que existe a escrita e eu comecei a ler há, no máximo, 14 anos, com a Márcia Kusptas. Injusto.
Correndo atrás do prejuízo, mas sem pressa que a vida não deixa, li Estrangeiro, do Camus, e tô terminando As Intermitências da Morte, do Saramago.
Cara! Como são diferentes esses dois!
Do Saramago é meu segundo, do Camus é o primeiro. Dá pra dizer que o Saramago é quase sempre cheio de palavras, ironias, enrolações inteligentes, política disfarçada. O Camus, ao contrário, é direto. E cruel. Poucas coisas ficam subentendidas no livro dele. Tá tudo ali. Tudo é muito rápido e diz tudo em poucas palavras e muitas pequenas frase. Sério, o Camus deve usar uns 20 pontos finais por parágrafo. O Saramago deve ter 20 pontos finais no livro todo.
Enfim. Com toda a diferença, gostei dos dois. Pra caralho! Nessas horas eu me acho tão volúvel. Será que eu não tenho personalidade?

quarta-feira, 18 de abril de 2007

Do jornalismo e seus espinhos

Abriu os olhos devagar. Vermelhos. Inchados. “Ai, que sol filho da puta!”, pensou, em um silêncio de lábios grudando, de ressaca e de sede. Revirou-se um pouquinho, mas parou logo. Uma dor diferente por nervo a convenceu de ficar quietinha. Puxou a coberta e viu, de relance, uma garota passando com livros. “Coitada!”, pensou, mas de imediato se arrependeu, pois até pensar doía-lhe. Dormiu.

*

Chegara mais cedo. Não, não estava empolgada, era só que o ônibus estava impressionantemente rápido, do jeitinho que não deve estar quando se vai ao trabalho. Lera um pouco no caminho e continuaria fazendo-o se não tivesse que ganhar um pouco de dinheiro. Miséria, diga-se de passagem.
Entrou, mochila nas costas, sorriu para todos. Ar, luz, computador, fone de ouvido, login, senha, amendoim.
Logo, o chefe chamou.

Sorriso falso
Cadeira
Enrolação
Celular
E-mail
Desatenção
Preguiça
Falta de vergonha
Caneta
Rabiscos

_ Isso é importante!
_ Ah, é? Deve ser mesmo! Eu diria crucial!

Pensamentos
Fugas
Olha pros peitos
Olha pras unhas
Olha pros brincos, roupa, sapatos
Piada sem graça
Insistente
Tarado
Burro.

A última coisa de que pode se lembrar é que um dia jogou tudo para o alto. Não tinha quem a sustentasse, mas jogou tudo para o alto. Não iria mais ao teatro, ou à faculdade, mas jogou tudo para o alto. Não compraria mais livros e talvez passasse fome, mas “foda-se”.

Quem sabe se ao invés da comunicação empresarial tivesse escrito resenhas numa revista de cultura? Ou matérias para uma revista de educação?

Empolgação
Dinâmica
Fontes
Telefones
Contatos
Ingressos de graça
Seres que pensam
Monotonia

_ Porra, ninguém me atende!
_ A culpa é sua por não ter ficado boa!

Culpa
Culpa
Críticas
Censura
Dorme tarde
Não dorme
Não sonha
Não namora
Só vai ao teatro a trabalho
Não dorme.

Quem sabe se tivesse escolhido outro caminho com menos espinhos?

Casa
Cama
Carro
Mãe
Sono
Comida
Sono
Gorda
Sem graça
Chata
Mãe
Chiliques
Gritos
Brigas
Monotonia
Tédio
Tédio
Tédio.

Quem sabe se…quem sabe?


Merda. Ficou grande. Próximo tema: "mundo ideal".

sexta-feira, 6 de abril de 2007

Sorria, você está sendo...

Os caras que assistem aos vídeos resultantes destas câmeras em lugares púlicos seriam as pessoas mais felizes do mundo se fôssemos obedientes. Admitindo que o sorriso contagia e alegra 'quem o recebe' (como ensinam papeís de carta, livros de auto-ajuda e afins), caso você sorrisse todas as vezes em que lê "Sorria, voce está sendo filmado", você faria mais pessoas mais felizes. Conclusão: a desobediência é uma forma de egoísmo.

Hoje eu fui egoísta.

*

Outras:

Nem todo mundo não bebe na sexta-feira santa.

TCC dos outros é pior que TCC próprio.

Odeio copos de requeijão com bichinhos coloridos. Eles quebram.

Cooperativismo de crédito é muito chato. Família falando de relacionamento é mais.

sábado, 31 de março de 2007

8760 horas

Tinta

Tinta na mão

Elefante

Carteirinha

Teatro

Cerveja

Carona

Almoço

Almoço pintada

Beijo não-beijo

Mentirinha

Desculpa

Quinto andar

Coincidências provocadas

Café

Cinema

Café

Teatro

Conquista

Mate

Conquista

Conquista

Portão

Chaves

Comidas

Sonho de padaria

Tempo

Namoro

Lasanha

Beijo-vontade

Tripé

Perdoa-me

Decoreba

Conquista

Esperanças

Decepções

Confissões

Hall

Respiração

Me dá sua mão

Tic-tac

Beijo-beijo

Beijo-estranho

Mensagens

Noronha

Distância

Americana

Novidades

Retorno ao Velho

Rave

Decisões

Piscina

Arrependimento

Satyros

Abraço longo

Festa Pop Com

Noite na república

Ataque

Jaqueta jeans

Beijo-beijo

Beijo-bom

Cazuza

Antes do pôr do sol

Pirituba

Caminho de volta

Virgindade

Páscoa

Bis

Teatro Cinema

Virgindade-beijo

Perdoa-me

Perdoa-me primeiro abraço

Budas

Banho

Tílcio

Pelados

Mãe

Sono Religião

Primeira

Frio na barriga

Sangue

Amor

Outros

Escondido

Sala

Silêncio

Mangas compridas são injustas

Férias

Roupão

Mudança

Apto

Mudança

Óleo

Massagem

Banheira

Cachorro molhado

Teatro

Todo dia

Piauí

Saudades

Boné

Doce

Cordel

Violão

Pelada

Você gosta de mim

Medos

Insegurança

Segurança

Nozes

Celular-bomba

Clarice

Festa

Torta

Amigos de longe

Antenas

Amor

Eu preciso dizer que te amo à meia noite

Ano novo

Dormir na areia

Empanados

Lutinha

Chuva

Vôlei

Escondido

Proibido

Ciúme

Bebedeira

Escondido

Gostoso

Mar

Espanhol

Carnaval

Avião

Piauí

Colo

Família

Condomínio

Abacaxi

Esconde-esconde

Escorregando

Morar junto?

Caipirinha

Vômito

Amor

Sono

Colo

Ressaca

Meu cachorro

Mesa de vidro

Mesa de madeira

Lessa

Mochila

BH

Pinga

Santiago

Saudade

Espaço vazio

Sono - sonho

Amor

Sobremesa

Terraço

Cachaça

Amor

Nozes.

segunda-feira, 19 de março de 2007

Sobre trânsito e cachorros

Eu não tenho culhão! Não tenho mesmo! Nem física, nem simbolicamente. Uma vez uma pessoa me disse que pra viver em Sampa tem que ter. Quase todo dia redescubro que, enfim, eu não.
Semana passada foi destas mais difíceis que o normal. E essa tá indo no mesmo embalo. Chuva, trânsito e, não bastasse, a constatação de que as pessoas perderam qualquer senso de boa relação e respeito. O metrô nestes dias é o retrato da barbárie. Pessoas no mesmo barco (ok, mesmo trem), mortas de tanto trabalhar pelo lucro alheio, se batem e se ignoram com a mais esquisita normalidade. E sofrem, mas cada uma na sua.
Dia desses, sorri para um tiozinho que me olhava na saída do metrô, depois do estouro da boiada da Sé. Depois do estranhamento, ele me disse: "Você é de bem com a vida, né?". Mal sabe ele o quanto não, em certas horas. Mas um sorriso ainda me é possível. Quase sempre.

*

Em meio ao turbilhão, eis que me vem um sinal divino, em forma do número cinco. Explico. Pela manhã, na Rua Frei Caneca, me deparo, não pela primeira vez, com cinco podlezinhos, irritantes e fofos. Pergunto: "São todos seus?" E a madame loira me diz que sim, os cinco.
Bem mais tarde, caminho ao lado do trânsito da São João, quando um morador de rua, revoltadíssimo, briga com um camelô que estorvava seu cachorro. Um dos seus cinco. Cinco vira-latas bonitos e corajosos, andando em ritmo acelerado pela calçada e sempre esperando uns pelos outros. Arrisco: "São todos seus?" "É, sim, tudo meu", responde com gentileza apressada e segue.

quarta-feira, 14 de março de 2007

Bobagens fora de contexto - parte II

Na mesma ocasião do post anterior...

"Eu fui amigo do Márcio" (Desabafos. Márcio é Marcinho VP, traficante do Rio que autorizou a filmagem do documentário Notícias de uma Guerra Particular, de Joãozinho, no Morro Dona Marta.)

"O mundo não é preto, nem branco, é cinza"
(Divagando sobre cores. E o mundo... Divertido. Mentira, não lembro mais a que ele se referia.)

"Não sei qual é o título do filme dele"
(Era só Os Infiltrados, do Scorcese. Ok, ele não é cinéfilo.)

"Você faz um filme pra fazer um filme"
(É?)

"Eu não fiz Notícias de uma Guerra Particular para denunciar a violência, eu fiz porque me deu vontade de falar daquilo naquele momento"
(Gosto disso.)

"O documentário é impotente"

"Esse cavalo não pode passar na minha frente celado e eu não tentar montá-lo"
(Sobre Lula)

"Quem tem filma quem não tem"
(Definição de cinema brasileiro)

"É um filme muito esquisito"
(Sobre Santiago, documentário dele que vai abrir o É Tudo Verdade do Rio de Janeiro este ano. Ele filma ele contando a história dele. Esquisito mesmo. Quero ver.)

"Nenhum botafoguense vai pro estádio achando que o Botafogo vai ganhar"
(Retrato do conformismo)

"Nós somos pessoas apavoradas"
(Nós são eles, os botafoguenses)

"Botafogo é mais um estado de espírito do que um time de futebol"
(Deve ser mesmo. Porque é bem pouco um time de futebol)

"O Botafogo definiu minha maneira de ver o mundo: cética e um pouco apavorada"
(O futebol formando os cineastas e editores do Brasil)

"Tem uma virtude em ser minoria. A minoria está sempre na contramão. Tem que ter personalidade pra ser minoria"
(É isso ae, se fudendo com personalidade)

"O otimismo tem uma coisa meio boba"
(Só...)

"Adoro o Waltinho" [Walter Salles, seu irmão]
(Que lindo)

Joãozinho irmão do Waltinho

Hoje, o João Moreira Salles fez uma aula magna disfarçada de bate-papo (que coisa mais cool!). Várias coisas interessantes, para além do fato de todo mundo ficar puxando o saco da Revista Piauí (que podia chamar Acre, Sergipe... o azar destes estados é que têm poucas vogais). Mas não tô com saco de escrever tudo o que concluí. Nem você de ler. Então, seguem algumas pérolas, (descontextualizadas, que ficam melhores). Ele é mestre em pérolas.

"Não sou cinéfilo. Posso dizer até que cinema não é uma coisa importante pra mim"
(Dá uma credibilidade pros documentários, não?)

"Eu gosto de palavras com muitas vogais"
(Ahá! pIAUI! 4!)

"A vogal é molinha"
(Ah...)

"Como ninguém apresentou solução melhor, ficou Piauí mesmo"
(É um processo complicado criar uma revista...)

"A gente [na Piauí] não tem missão nenhuma"
(Adoro gente honesta!)

"Há um orfanato. Se o orfanato tiver 10 órfãos, quebramos a cara, mas se tiver 50 milhões de órfãos, então deu certo"
(Se você não entendeu, os referidos órfãos seriam os órfãos das publicações com muitos textos e matérias menos imediatistas. Metáfora espetacular. Não?)

"Não há nada mais à direita do que a Lili Marinho"

"Desconfiamos de tudo. Desconfiamos do Maluf, do Lula..."
(Ué! Não dá quase na mesma?)

"A Piauí não se leva a sério"
(Ok. Essa não é engraçada, mas me fez gostar mais da revista.)

"A gente prefere publicar as cartas que metem o pau na gente do que as que nos elogiam"
(Masoquistas também podem escrever.)